quinta-feira, 27 de setembro de 2007

O domingo de compras

Bordéus, 17 de Junho de 2001.
Chego à gare mesmo a tempo de apanhar o comboio que me ia levar à capital das ostras - Arcachon.
Infelizmente, a minha assistente tinha-se esquecido que era um domingo, pelo que a minha corrida alucinante desde o aeroporto revelou-se infrutífera. Em vez de entrar ofegante na carruagem bar desesperado por uma 1664, fiquei vidrado no placard que anunciava só haver um comboio duas horas depois.
Num momento de insanidade temporária, pensei em despachar já as prendas para a namorada e afins. Bastava encontrar...
Foi aí que me lembrei! Estava num país civilizado da Europa Ocidental, daqueles em que os shoppings e grandes superficies estão fechadas ao domingo.
Em que as famílias podem efectuar programas sem estar escravas do consumismo.
Onde a decisão pode ser estruturada em termos de actividades (passeios, museus, desporto, gastronomia...) em detrimento de navegadores (portugueses vs genoveses) ou de marcas acabadas em “shopping”, começadas por Fórum, cidades adicionadas com Parque ou até títulos de filmes do carismático Fellini.

Esta semana entregaram uma petição para que as grandes superfícies pudessem estar abertas ao domingo TODO O DIA.

Depois não se queixem do embrutecimento cultural da sociedade portuguesa.

terça-feira, 24 de janeiro de 2006

(Re) Implantação da República

22 de Janeiro de 2006
Dentro de alguns anos é bem provável que os nossos netos (ou sobrinhos netos, no caso de o leitor ser eunuco) estejam a comemorar este feriado!
Será recordado como o dia da (re)implantação da República em Portugal, marcado indelevelmente pela queda do maior monárquico português do séc. XX - Mário Soares.
Convencido que o país não funciona sem ele, ofereceu-se para se candidatar às eleições e retomar o seu reinado usurpado por uma lei absurda da Constituição da República Portuguesa que não o permitiu ser o presidente eterno.
Quando ouvi tal baboseira, pensei imediatamente que tão ilustre criatura pretendia concorrer com Manuel João Vieira.
Só passado algum tempo é que constatei que o bochechas decadente estava a falar a sério, e que o primeiro ministro emergente não teve a hortícula para lhe dizer que não!
Neste caso, quem se lixou foi o poeta!
Mas nem tudo é mau... pode ser que agora o Sr. 14% perceba que está a mais na política e que os jornalistas lhe deixem de por microfone à frente para escutar calinadas assombrosas como "votem no meu filho" em pleno dia de eleições autárquicas.
É que para tiradas "irónicas", cheias de "sarcasmo habitual" (outra forma de se referir às alarvidades desconexas e descontextualizadas de sua pintolência) já cá está outro... habemus papam, diziam eles, em Roma...
Bem... honra aos vencedores! Finalmente temos presidente... Se 9 meses já custam, imaginem 30 anos!!!