segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Líder ou Não... Eis a questão


Antes de mais, desinteressei-me da F1 desde que começou a hegemonia alemã da década de ’90.
Ontem, Kimi Raikonen sagrou-se campeão do mundo contra todas as expectativas. Na hora da verdade, soube impor-se com categoria e aproveitar os erros primários de Lewis Hamilton que não aguentou a pressão.
No início da época, ninguém acreditaria que iriamos assistir ao campeonato de pilotos mais equilibrado na história da F1.
Três pilotos terminaram separados por um ponto, tendo o ano sido marcado pelo aparecimento de um piloto com capacidades claramente acima da média (Hamilton) e pela inadaptação de uma estrela com personalidade difícil a uma equipa onde afinal nem tudo parecia o que era (Alonso).
Então e o Raikkonen? Parabéns, sr. Campeão do mundo. Sem brilho, com mérito.
Ao analisar esta época F1, recordo-me do Tour 2002. Se a memória não me atraiçoa, Joseba Beloki chegou ao Tour fortíssimo ameaçando mais do que nunca o poderio de Lance Armstrong.
Nas primeiras etapas, fruto dos Contra-Relógios individuais e por equipas, Igor Gonzalez de Galdeano assumiu a liderança da prova.
A ONCE toma então a decisão estratégica de substituir o seu líder, sendo o exemplo claro a 11ª etapa. Com Galdeano de amarelo, Armstrong a 26’’ e Beloki a 1’23’’, a etapa de La Mongie torna-se um momento de viragem no tour. Ao ver Galdeano a fraquejar, Manolo Saiz (director técnico) manda a equipa rebocar o camisola amarela. Beloki, acompanha sozinho Armstrong e o seu rebocador topo de gama (Roberto Heras) perdendo apenas 7’’ na etapa. Azevedo, que mais tarde seria um fiel escudeiro do fenómeno americano, tinha ficado com Galdeano minimizando a sua perda, garantindo a glória na classificaçao colectiva mas perdendo por completo hipótese de vitória de um ciclista ONCE na classificação individual. No dia seguinte, Beloki pagou o desgaste com um atraso de 1’04’’. O Tour estava irremediavelmente perdido...
Este ano, o aparecimento de Hamilton veio baralhar as contas e Alonso deixou de ser líder incontestado. A superioridade do espanhol nunca foi evidente e as polémicas ao longo da época prejudicaram de sobremaneira o resultado final.
Alonso nunca teve um feitio fácil, e a McLaren sabia-o quando o contratou. Tem manias de vedeta, é arrogante e relaciona-se mal com tudo e todos os que lhe façam sombra. Mas era o bi-campeão mundial! E merecia sem duvida mais respeito por isso.
Se a McLaren tem mantido essa liderança para dentro e fora da equipa, provavelmente ontem teriam comemorado o título de pilotos. Por mais cruel que seja, o objectivo de uma época estava assegurado.
Podemos questionar a ética da decisão, seguramente que se deve questionar qual o timing adequado para a mesma. No fim do GP Itália, Hamilton tinha 92 e Alonso 89 pontos. Raikkonen 74!!! Era a altura para assumir uma posição estratégica: Alonso é o Líder! Não foi feito...
Se calhar não esperavam que Hamilton fizesse 2 pontos em 20 possíveis nas últimas provas.
Pretenderam entrar na história. Hamilton é inglês (como Ron Dennis), tem uma cor de pele nada usual na F1... Apostaram forte. Apostaram mal. Perderam!
Os patrocinadores que julguem a decisão.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

O domingo de compras

Bordéus, 17 de Junho de 2001.
Chego à gare mesmo a tempo de apanhar o comboio que me ia levar à capital das ostras - Arcachon.
Infelizmente, a minha assistente tinha-se esquecido que era um domingo, pelo que a minha corrida alucinante desde o aeroporto revelou-se infrutífera. Em vez de entrar ofegante na carruagem bar desesperado por uma 1664, fiquei vidrado no placard que anunciava só haver um comboio duas horas depois.
Num momento de insanidade temporária, pensei em despachar já as prendas para a namorada e afins. Bastava encontrar...
Foi aí que me lembrei! Estava num país civilizado da Europa Ocidental, daqueles em que os shoppings e grandes superficies estão fechadas ao domingo.
Em que as famílias podem efectuar programas sem estar escravas do consumismo.
Onde a decisão pode ser estruturada em termos de actividades (passeios, museus, desporto, gastronomia...) em detrimento de navegadores (portugueses vs genoveses) ou de marcas acabadas em “shopping”, começadas por Fórum, cidades adicionadas com Parque ou até títulos de filmes do carismático Fellini.

Esta semana entregaram uma petição para que as grandes superfícies pudessem estar abertas ao domingo TODO O DIA.

Depois não se queixem do embrutecimento cultural da sociedade portuguesa.