Antes de mais, desinteressei-me da F1 desde que começou a hegemonia alemã da década de ’90.
Ontem, Kimi Raikonen sagrou-se campeão do mundo contra todas as expectativas. Na hora da verdade, soube impor-se com categoria e aproveitar os erros primários de Lewis Hamilton que não aguentou a pressão.
No início da época, ninguém acreditaria que iriamos assistir ao campeonato de pilotos mais equilibrado na história da F1.
Três pilotos terminaram separados por um ponto, tendo o ano sido marcado pelo aparecimento de um piloto com capacidades claramente acima da média (Hamilton) e pela inadaptação de uma estrela com personalidade difícil a uma equipa onde afinal nem tudo parecia o que era (Alonso).
Então e o Raikkonen? Parabéns, sr. Campeão do mundo. Sem brilho, com mérito.
Ao analisar esta época F1, recordo-me do Tour 2002. Se a memória não me atraiçoa, Joseba Beloki chegou ao Tour fortíssimo ameaçando mais do que nunca o poderio de Lance Armstrong.
Nas primeiras etapas, fruto dos Contra-Relógios individuais e por equipas, Igor Gonzalez de Galdeano assumiu a liderança da prova.
A ONCE toma então a decisão estratégica de substituir o seu líder, sendo o exemplo claro a 11ª etapa. Com Galdeano de amarelo, Armstrong a 26’’ e Beloki a 1’23’’, a etapa de La Mongie torna-se um momento de viragem no tour. Ao ver Galdeano a fraquejar, Manolo Saiz (director técnico) manda a equipa rebocar o camisola amarela. Beloki, acompanha sozinho Armstrong e o seu rebocador topo de gama (Roberto Heras) perdendo apenas 7’’ na etapa. Azevedo, que mais tarde seria um fiel escudeiro do fenómeno americano, tinha ficado com Galdeano minimizando a sua perda, garantindo a glória na classificaçao colectiva mas perdendo por completo hipótese de vitória de um ciclista ONCE na classificação individual. No dia seguinte, Beloki pagou o desgaste com um atraso de 1’04’’. O Tour estava irremediavelmente perdido...
Este ano, o aparecimento de Hamilton veio baralhar as contas e Alonso deixou de ser líder incontestado. A superioridade do espanhol nunca foi evidente e as polémicas ao longo da época prejudicaram de sobremaneira o resultado final.
Alonso nunca teve um feitio fácil, e a McLaren sabia-o quando o contratou. Tem manias de vedeta, é arrogante e relaciona-se mal com tudo e todos os que lhe façam sombra. Mas era o bi-campeão mundial! E merecia sem duvida mais respeito por isso.
Se a McLaren tem mantido essa liderança para dentro e fora da equipa, provavelmente ontem teriam comemorado o título de pilotos. Por mais cruel que seja, o objectivo de uma época estava assegurado.
Podemos questionar a ética da decisão, seguramente que se deve questionar qual o timing adequado para a mesma. No fim do GP Itália, Hamilton tinha 92 e Alonso 89 pontos. Raikkonen 74!!! Era a altura para assumir uma posição estratégica: Alonso é o Líder! Não foi feito...
Se calhar não esperavam que Hamilton fizesse 2 pontos em 20 possíveis nas últimas provas.
Pretenderam entrar na história. Hamilton é inglês (como Ron Dennis), tem uma cor de pele nada usual na F1... Apostaram forte. Apostaram mal. Perderam!
Os patrocinadores que julguem a decisão.
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