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quarta-feira, 30 de junho de 2010

A gestão da braçadeira

Cristiano Ronaldo é um jogador fantástico. Ficará na história do futebol mundial e será sempre um exemplo de aproveitamento e exploração do talento com base no rigor e no trabalho.
Diz quem sabe que é um perfeccionista. Trabalha detalhes até à exaustão, quer nas bolas paradas quer no arsenal de fintas com que presenteia o comum adepto do alegado desporto-rei.
O seu mundial foi fraco. E depois?
Após uma longa época de adaptação ao clube mais exigente do mundo - onde muitos esperavam e outros desejavam que falhasse - é natural o desgaste, o cansaço e o sub-rendimento.
Mas CR é também o capitão da selecção nacional.
Um herdeiro de Coluna e Humberto, João Pinto e Figo (este um mercenário, mas bom capitão).
Esta braçadeira é um legado de Caravaggio. Foi Scolari quem o colocou nesta posição. E, já agora, de quem NOS colocou...
Porque um capitão não pode afimar publicamente "se todos jogassem como eu, Portugal seria campeão do mundo". Ou ter as atitudes que teve no fim do jogo de ontem - não querer falar ou então "perguntem ao Queiroz".
A grande questão resume-se a duas palavras: e agora?
Temos CR para muitos e bons anos. Precisamos dele, motivado e ambicioso.
A racionalidade implica a saída de Carlos Queiroz (o extremismo aconselha a irradiação por incompetência), pelo que esta será a decisão fulcral do próximo seleccionador.
A tarefa difícil, no entanto, será gerir a falta de talento existente nos potenciais seleccionáveis.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Cunho Pessoal

Numa área do saber fortemente dissecada, é com particular apreço que verifico mais uma inovação made in Portugal.

A fazer fé num matutino desportivo, Sá Pinto introduziu um novo estilo de liderança no balneário de Alvalade. Fica-lhe bem, dadas as expectativas que foram colocadas na sua contratação (sobretudo pelo destaque mediático que foi dado nos últimos anos ao seu investimento em formação académica).

É do senso comum que um líder deve implementar um cunho pessoal. Ricardo Sá Pinto levou este conceito a um novo patamar - o punho pessoal!

Tal como sucedeu pelos lados do Jamor, executa uma nova ferramenta de gestão de conflito - a batatada!

Claro que ainda está por provar o que se passou. Ao contrário de quando executou a vontade de milhões de benfiquistas, não havia câmaras a registar tão eloquente momento.

Mas a ser verdade, antecipo o futuro capítulo "Gestão de Conflitos" de um eventual livro de Sá Pinto sobre liderança.

A) Bate primeiro. De preferência com força. E se possível, com assistência.
B) Se estiver hesitante, ler novamente o ponto A).

Reforço apenas que para que este livro venha a ser escrito, Sá Pinto tem de treinar uma equipa que fique em último lugar de um campeonato do mundo e que consiga transformar o único "centenário da prova" (com o 5º classificado da dita) num marco histórico da modalidade.



segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Líder ou Não... Eis a questão


Antes de mais, desinteressei-me da F1 desde que começou a hegemonia alemã da década de ’90.
Ontem, Kimi Raikonen sagrou-se campeão do mundo contra todas as expectativas. Na hora da verdade, soube impor-se com categoria e aproveitar os erros primários de Lewis Hamilton que não aguentou a pressão.
No início da época, ninguém acreditaria que iriamos assistir ao campeonato de pilotos mais equilibrado na história da F1.
Três pilotos terminaram separados por um ponto, tendo o ano sido marcado pelo aparecimento de um piloto com capacidades claramente acima da média (Hamilton) e pela inadaptação de uma estrela com personalidade difícil a uma equipa onde afinal nem tudo parecia o que era (Alonso).
Então e o Raikkonen? Parabéns, sr. Campeão do mundo. Sem brilho, com mérito.
Ao analisar esta época F1, recordo-me do Tour 2002. Se a memória não me atraiçoa, Joseba Beloki chegou ao Tour fortíssimo ameaçando mais do que nunca o poderio de Lance Armstrong.
Nas primeiras etapas, fruto dos Contra-Relógios individuais e por equipas, Igor Gonzalez de Galdeano assumiu a liderança da prova.
A ONCE toma então a decisão estratégica de substituir o seu líder, sendo o exemplo claro a 11ª etapa. Com Galdeano de amarelo, Armstrong a 26’’ e Beloki a 1’23’’, a etapa de La Mongie torna-se um momento de viragem no tour. Ao ver Galdeano a fraquejar, Manolo Saiz (director técnico) manda a equipa rebocar o camisola amarela. Beloki, acompanha sozinho Armstrong e o seu rebocador topo de gama (Roberto Heras) perdendo apenas 7’’ na etapa. Azevedo, que mais tarde seria um fiel escudeiro do fenómeno americano, tinha ficado com Galdeano minimizando a sua perda, garantindo a glória na classificaçao colectiva mas perdendo por completo hipótese de vitória de um ciclista ONCE na classificação individual. No dia seguinte, Beloki pagou o desgaste com um atraso de 1’04’’. O Tour estava irremediavelmente perdido...
Este ano, o aparecimento de Hamilton veio baralhar as contas e Alonso deixou de ser líder incontestado. A superioridade do espanhol nunca foi evidente e as polémicas ao longo da época prejudicaram de sobremaneira o resultado final.
Alonso nunca teve um feitio fácil, e a McLaren sabia-o quando o contratou. Tem manias de vedeta, é arrogante e relaciona-se mal com tudo e todos os que lhe façam sombra. Mas era o bi-campeão mundial! E merecia sem duvida mais respeito por isso.
Se a McLaren tem mantido essa liderança para dentro e fora da equipa, provavelmente ontem teriam comemorado o título de pilotos. Por mais cruel que seja, o objectivo de uma época estava assegurado.
Podemos questionar a ética da decisão, seguramente que se deve questionar qual o timing adequado para a mesma. No fim do GP Itália, Hamilton tinha 92 e Alonso 89 pontos. Raikkonen 74!!! Era a altura para assumir uma posição estratégica: Alonso é o Líder! Não foi feito...
Se calhar não esperavam que Hamilton fizesse 2 pontos em 20 possíveis nas últimas provas.
Pretenderam entrar na história. Hamilton é inglês (como Ron Dennis), tem uma cor de pele nada usual na F1... Apostaram forte. Apostaram mal. Perderam!
Os patrocinadores que julguem a decisão.