As sequelas do terramoto do Haiti constituem um profundo drama humano. A perda de vidas é trágica, mas a vida de quem fica pode vir a tornar-se ainda pior. Todos os recursos são poucos para recuperar a devastação em que se encontra o país mais pobre do mundo ocidental.
Perante tal facto, pessoas e empresas, cidadãos e instituições, estados e nações devem ter uma consciência solidária.
O principal inibidor pode ser o cepticismo. "Como sei que o dinheiro que envio será aplicado? Por quem?". Respeito quem opta por não ajudar com base neste princípio. Efectivamente, o passado recente mostra-nos que têm alguma razão.
Mas o que entendo que deve ser combatido é o esbanjar de recursos. Ontem, fiquei siderado quando vi na RTP um "enviado especial" ao Haiti! Para quê? Por quê?
Este profissional que cumpre ordens, está a ocupar uma cama que seria mais útil num profissional de saúde ou de apoio social. A televisão estatal está a gastar recursos numa notícia que não é de interesse nacional. Havia 15 portugueses no Haiti, país praticamente sem ligações a Portugal. Felizmente, estão todos bem!
Se esta calamidade sucedesse num PALOP, ou em qualquer ponto do globo onde a comunidade emigrante estivesse profundamente enraizada, fazia todo o sentido ter lá a RTP. No Haiti? Por favor, parem de brincar com os €€€ dos contribuintes.
Mobilizem uma onda de apoio. Façam um programa especial, cativem o apoio de figuras públicas e enviem a totalidade dos lucros. A generosidade dos portugueses tem sido irrepreensivelmente comprovada sempre que tal é solicitado.
Mas tenham consciência. Actualmente, o espectador não precisa de ter imagens perturbadoras ao vivo do pós-catástrofe. Necessita apenas de notícias. E de ser solidário, se puder...
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