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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Quem anda à chuva...

Jornalista da RTP ferido no Haiti.

Os sinceros votos de melhoras para quem estava no local errado à hora errada.

Infelizmente, justificou o investimento da televisão estatal.

Temos noticia!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Enviados especiais

As sequelas do terramoto do Haiti constituem um profundo drama humano. A perda de vidas é trágica, mas a vida de quem fica pode vir a tornar-se ainda pior. Todos os recursos são poucos para recuperar a devastação em que se encontra o país mais pobre do mundo ocidental.

Perante tal facto, pessoas e empresas, cidadãos e instituições, estados e nações devem ter uma consciência solidária.

O principal inibidor pode ser o cepticismo. "Como sei que o dinheiro que envio será aplicado? Por quem?". Respeito quem opta por não ajudar com base neste princípio. Efectivamente, o passado recente mostra-nos que têm alguma razão.

Mas o que entendo que deve ser combatido é o esbanjar de recursos. Ontem, fiquei siderado quando vi na RTP um "enviado especial" ao Haiti! Para quê? Por quê?

Este profissional que cumpre ordens, está a ocupar uma cama que seria mais útil num profissional de saúde ou de apoio social. A televisão estatal está a gastar recursos numa notícia que não é de interesse nacional. Havia 15 portugueses no Haiti, país praticamente sem ligações a Portugal. Felizmente, estão todos bem!

Se esta calamidade sucedesse num PALOP, ou em qualquer ponto do globo onde a comunidade emigrante estivesse profundamente enraizada, fazia todo o sentido ter lá a RTP. No Haiti? Por favor, parem de brincar com os €€€ dos contribuintes.

Mobilizem uma onda de apoio. Façam um programa especial, cativem o apoio de figuras públicas e enviem a totalidade dos lucros. A generosidade dos portugueses tem sido irrepreensivelmente comprovada sempre que tal é solicitado.

Mas tenham consciência. Actualmente, o espectador não precisa de ter imagens perturbadoras ao vivo do pós-catástrofe. Necessita apenas de notícias. E de ser solidário, se puder...

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Uma questão de bolinhas

A tentativa de assalto de ontem foi um acontecimento que deixou o país em suspenso, preso aos televisores em estado de alerta pela dramática situação que não conseguiam deixar de assistir.

Os últimos minutos foram dramáticos, encarados como um epílogo de qualquer filme de acção produzido sem grandes orçamentos.

Muitos telespectadores partilharam a dor dos sequestrados - a angústia de ter uma arma apontada à cabeça, de olhar para a panóplia de meios policiais que se instalaram defronte do banco e esperar a qualquer momento um resgate... ou a morte.

Outros, optaram pela compaixão para com os assaltantes, recorrendo ao nacional coitadismo "não devem ter nada para comer", "ao ponto a que uma pessoa chega por necessidade", etc...

Numa breve fracção de segundo (pelo menos, assim pareceu...) tudo acabou. Ficou provada uma vez mais a capacidade dos GOE, assim como alguma inexperiência dos raptores (palavra de quem percebe, que defende um mau planeamento do assalto).

As TV's transmitem em directo.

Estranhamente, não vi nenhuma bolinha encarnada no canto do ecrã. Era impossível prever quando e se o ataque iria ocorrer.

Mas, depois do salvamento consumado, o tal indicador televisivo voltou a estar ausente nas inumeras repetições que deram da acção blitz das forças policiais.

Ainda hoje se serviu o "homens abatidos a tiro" ao almoço, em todos os noticiários. Novamente sem bolinha...

Menos mal que o jornal Público corrigiu e colocou juntamente ao video "imagens podem ser consideradas chocantes".